Perdi o RG: o que fazer e como tirar a segunda via
Perdeu o RG ou a CIN? Veja o que fazer primeiro, se o boletim de ocorrência é obrigatório, como pedir a segunda via, quanto custa e como se proteger de golpes.
Por Guilherme Ribeiro · Publicado em · 7 min de leitura
Resposta rápida
Quem perdeu o RG pede a segunda via no órgão de identificação do estado. Pela lei, basta solicitar e apresentar a certidão de nascimento ou de casamento. Os estados pedem também o número do CPF. O boletim de ocorrência não é exigido por lei, mas ajuda a se proteger caso alguém use o documento. A segunda via sai no modelo novo, a Carteira de Identidade Nacional (CIN), com o CPF como número.
Perder a identidade dá trabalho, mas o caminho é curto. O mais importante é fazer o pedido logo e ficar de olho no seu CPF nas semanas seguintes.
O que fazer primeiro
- Registre um boletim de ocorrência, de preferência na delegacia on-line do seu estado. Não é condição para a segunda via, mas é o registro de que o documento saiu do seu controle naquela data.
- Peça a segunda via no órgão de identificação, pelo canal oficial do estado. A lista está em Onde fazer a CIN em cada estado.
- Acompanhe o seu CPF no Registrato, do Banco Central, para ver se alguém abriu conta ou pegou empréstimo no seu nome (veja como mais abaixo).
- Se perdeu a carteira inteira, bloqueie também os cartões e confira os outros documentos que estavam junto.
Precisa de boletim de ocorrência para tirar a segunda via?
Pela lei federal, não. A Lei nº 7.116/1983 diz no artigo 7º que a segunda via da carteira de identidade é emitida "mediante simples solicitação do interessado", e proíbe qualquer outra exigência além da certidão de nascimento ou de casamento. O Decreto nº 10.977/2022, que regulamenta a CIN, repete a proibição de criar exigências não previstas nele (artigo 4º, § 8º).
Mesmo assim, vale registrar. O boletim serve de prova da perda se o documento aparecer depois num golpe, num contrato ou numa conta aberta por outra pessoa. Vários estados oferecem o registro de perda de documentos pela internet: Minas Gerais e Paraná, por exemplo, têm o serviço nos portais oficiais.
Como pedir a segunda via
O pedido é feito no órgão de identificação civil do estado, em geral ligado à Polícia Civil ou a uma central de atendimento como o Poupatempo, em São Paulo. Em geral o atendimento é agendado, como em São Paulo e Minas Gerais.
Leve:
- Certidão de nascimento (solteiros) ou de casamento (casados, divorciados e viúvos, com a averbação), original, cópia autenticada ou digital.
- Número do CPF, que vira o número da nova carteira.
A foto, a assinatura e as digitais são colhidas no atendimento. Para os detalhes de cada caso, veja quais documentos levar para emitir a CIN e qual certidão levar.
Alguns estados aceitam o pedido pela internet. No Paraná, quem já tem CIN ou RG emitido no estado pode solicitar on-line; a retirada é feita pelo titular, com conferência biométrica.
Perdi o RG antigo: o que muda
Quem perdeu o RG no modelo antigo não recebe outro igual. O documento novo é a CIN, e o número passa a ser o CPF. O número antigo do RG deixa de aparecer na carteira.
O decreto trata a primeira CIN de quem tinha o modelo antigo como primeira emissão (artigo 26, § 4º), e a primeira emissão é gratuita por lei (Lei nº 7.116/1983, artigo 2º, § 3º). As páginas oficiais de São Paulo e de Minas Gerais cobram pela segunda via, mas não deixam claro se a cobrança vale para quem só tinha o modelo antigo. Confira no canal do seu estado antes de pagar.
Se você precisa do número do RG antigo para algum cadastro e não tem mais o documento, veja como descobrir o número do RG perdido.
Quanto custa e quanto tempo demora
O valor da segunda via é definido por cada estado, e alguns isentam determinados grupos.
E a CIN digital?
Quem tinha a CIN em papel ou cartão também tinha a versão digital no aplicativo gov.br, gerada depois da entrega do documento físico (Decreto nº 10.977/2022, artigo 5º, parágrafo único).
Quando a segunda via é emitida, só a carteira mais nova fica com o QR Code válido, segundo o governo federal. Isso tem um lado bom: a carteira perdida deixa de passar na conferência pelo QR Code. Depois que a nova ficar pronta, adicione-a de novo à carteira de documentos do aplicativo gov.br.
Como se proteger de golpes com o documento perdido
Com um documento de identidade e o CPF, um golpista pode tentar abrir conta ou pedir crédito em nome de outra pessoa. O Banco Central tem um sistema gratuito para conferir isso, o Registrato. O acesso é feito com a conta gov.br nível prata ou ouro, com verificação em duas etapas ativada.
Dois relatórios interessam a quem perdeu o documento:
- Contas e Relacionamentos em Bancos (CCS): em quais bancos e instituições você tem ou teve conta.
- Empréstimos e Financiamentos (SCR): as dívidas registradas no seu nome.
Se aparecer conta ou empréstimo que você não reconhece, procure a instituição e registre um boletim de ocorrência sobre o uso indevido. O boletim da perda, feito antes, ajuda a mostrar que o documento já não estava com você.
Perda na rua
Paulo perdeu a carteira com o RG antigo num sábado. No mesmo dia, registrou o boletim de perda pela internet e bloqueou os cartões. Na segunda, agendou a CIN no órgão do estado, levando a certidão de casamento e o número do CPF. Um mês depois, conferiu o Registrato e não encontrou conta nem empréstimo desconhecido. Dados fictícios.
Perguntas frequentes
Perdi o RG. Posso tirar a segunda via sem boletim de ocorrência?
Pela Lei nº 7.116/1983, sim: a segunda via é emitida mediante simples solicitação, e a única exigência é a certidão de nascimento ou de casamento. O boletim é recomendável para se proteger de fraude.
Onde tiro a segunda via do RG?
No órgão de identificação civil do estado. A CIN pode ser pedida em qualquer estado, não só naquele onde você tirou a primeira. Os canais oficiais estão em Onde fazer a CIN em cada estado.
A segunda via vem com o mesmo número?
Na CIN, o número é o CPF, então continua o mesmo. Quem tinha o RG antigo recebe a CIN, e o número estadual antigo deixa de aparecer na carteira.
Quanto custa a segunda via do RG?
Depende do estado. Em 15/10/2026, São Paulo cobrava R$ 57,63 e Minas Gerais, R$ 115,80, com casos de isenção. A primeira emissão da carteira é gratuita por lei.
Posso usar a CIN digital enquanto a segunda via não fica pronta?
A versão digital fica no aplicativo gov.br enquanto aquela for a última CIN emitida. Quando a segunda via sai, só a nova tem o QR Code válido, e é ela que você deve adicionar ao aplicativo.
Achei o RG depois de tirar a segunda via. Qual vale?
Use a nova. Se o documento perdido era uma CIN, só a última emitida tem o QR Code válido, então a antiga não passa mais na conferência.
Como este texto foi conferido
Informações conferidas nas fontes abaixo em 15 de outubro de 2026. Regras, taxas e prazos mudam e variam entre estados: antes de ir ao atendimento, confirme no canal oficial do seu estado. Achou um erro? Veja como pedir correção na política editorial.
Fontes consultadas
- Lei nº 7.116, de 29 de agosto de 1983 — Presidência da República. Consultado em 15/10/2026.
- Decreto nº 10.977, de 23 de fevereiro de 2022 — Presidência da República. Consultado em 15/10/2026.
- Dúvidas frequentes sobre a CIN — Secretaria de Governo Digital. Consultado em 15/10/2026.
- Obter 2ª via de Carteira de Identidade Nacional (CIN) — Governo do Estado de São Paulo. Consultado em 15/10/2026.
- Obter Carteira de Identidade Nacional (Minas Gerais) — Governo de Minas Gerais. Consultado em 15/10/2026.
- Solicitação on-line da Carteira de Identidade — Polícia Civil do Paraná. Consultado em 15/10/2026.
- Registrato — Banco Central do Brasil. Consultado em 15/10/2026.
Assuntos:documentoscinrg antigosegunda via
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